Autoridade dos pais

Atitudes firmes são fundamentais na educação dos filhos
(Texto retirado da Revista Claudia / Adriana Tavares – psicopedagoga)


Não restam dúvidas de que hoje há insegurança sobre a educação dos filhos. Existem teses, teorias, experiências as mais diversas e que apontam direções, muitas vezes opostas, que trazem um dilema para os pais: Como educar? Qual é o caminho correto?

Segundo Mary Winn, há poucas décadas, não havia dúvidas para um adulto e para uma criança ou jovem sobre as atitudes a tomar e o caminho a seguir. Já estava definido o que e onde estudar. Havia um consenso sobre o comportamento desejado e ficava muito claro o que deveria ser feito e o que devia ser evitado. Educava-se simultaneamente com amor e rigor, com permissões e proibições, com prêmios e castigos.

Rejeitados os métodos antigos e autoritários, surgiram o que a literatura específica chama de pais progressistas: evitam uma intervenção autoritária na vida dos filhos, procuram orientar, dialogar e apelar para um comportamento racional . Abrem mão de toda autoridade e pedem aos filhos compreensão e cooperação. Em verdade, esse repúdio a uma forma excessivamente rigorosa de educar levou os pais a uma atitude que muitos pedagogos consideram com fuga das responsabilidades educacionais.

Muitos pais, hoje, têm medo de enfrentar os filhos; não têm autoridade para exigir que os filhos menores não dirijam o carro ou a moto, que colaborem em determinadas tarefas, que voltem de seus passeios a certa hora da noite.

Procura-se cultivar a participação dos filhos ainda bem pequenos na vida familiar, apesar de serem crianças ainda não-aptas, não-amadurecidas para determinadas responsabilidades e problemas. Muitos filhos sofrem pressões em situações embaraçosas, quando são obrigados a opinar entre colocações feitas pelo pai ou pela mãe.

A falta de firmeza dos pais leva, segundo a psicóloga e médica Jirina Prekop, a criança a impor a sua vontade. Ela determina o que vai comer, o que vai vestir, que programa assistir na TV, como deve ser mobiliado seu quarto.

Acostumados desde cedo a impor sua vontade, a criança e o adolescente não aceitam ser contrariados. A reação bem conhecida de todos é espernear, gritar, chorar ou alegar doença. E acabam por praticar atos mais graves que preocupam toda a família.

A criança, em verdade, quer confiar em seus pais; pai e mãe devem ser referências, devem estabelecer regras e objetivos para que a criança se sinta obrigada e segura. “meu pai é o mais forte, o mais inteligente, minha mãe, a mais bonita”. É um sentimento de confiança e de orgulho da criança.

Deixa-las proceder como querem (teoria dos antipedagogos) não pe um gesto de grandeza, de modernidade dos pais; é mais uma fuga de suas responsabilidades e medo de serem chamados de quadrados.

“Uma geração que não acredita que pode moldar o futuro, que é incapaz de construir com segurança e amor a sua vida e a dos seus filhos, é uma geração que nada tem a oferecer às gerações futuras. É uma geração que deve calar porque não vê perspectiva para sua própria vida”. Isto é o que nos diz Holt.

Se os pais não estabeleceram para as crianças os parâmetros de comportamento, se não tiverem firmeza em suas atitudes, os filhos tornar-se-ão inseguros: em lugar de uma orientação firme, seguem modas, modelos, opiniões adquiridas nas ruas ou através dos meios de comunicação e adotam valores, no mínimo, discutíveis.

Atrás de uma criança que se impões pela força, pela rebeldia, pelo grito, muitas vezes se esconde uma pessoa insegura e medrosa.

Postman analisa a sociedade norte-americana (análise válida também para nós) e aponta alguns sintomas que denomina de sinais doentios, cita:

1) Perda da capacidade de autodomínio: não alcançando seus objetivos, a criança grita, chora, esperneia e realiza todos os desaforos até alcançar seu desejo.

2) Perda da capacidade de se expressar de forma correta: a criança utiliza fragmentos de frases desconexas, gírias e expressões obscenas. É uma linguagem que desconhece respeito e com ela quer apenas, muitas vezes de forma cínica, impor sua vontade.

3) Perda da capacidade de agradecer e de ser modesto: tudo o que os pais dão e fazem nada mais é que obrigação deles. A criança ou o jovem entendem que devem ser atendidos plenamente, enquanto os restantes membros da família tornam-se secundários. Isso pode resultar em desunião e degradação da família.

4) Perda da obediência e da consciência que o poder dos pais e do governo são necessários para manter uma ordem: o resultado é uma reação de revolta por parte dos jovens. “Destruir o que se nos opões, distrair tudo, o vandalismo é o lema fundamental”.

5) Perda do sentido de valor da vida: que é substituído pelo álcool, por drogas e atitudes violentas e criminosas. O objetivo é viver o momento, não pensar no futuro. Não há futuro. Basta pensar na violência das torcidas nos jogos de futebol.

Muitos leitores dirão: Postman exagerou. Tais atitudes são de poucos jovens. É possível que hoje ainda seja minoria. Mas amanhã o que acontecerá?

Essa é a responsabilidade dos pais e, praticamente, só deles (a escola apenas colabora): educar os filhos através de atitudes firmes para termos uma infância e uma juventude sadia para um futuro que desejamos para todos.

CÓDIGOS DE CONVIVÊNCIA
A PROTEÇÃO QUE ATRAPALHA
A DIFÍCIL ARTE DE SER CRIANÇA
NA HORA DO CHORO
A ALIMENTAÇÃO DAS CRIANÇAS QUE ESTUDAM EM PERÍODO INTEGRAL
A CONSTRUÇÃO DA AUTO-ESTIMA
AUTORIDADE DOS PAIS
QUANDO TIRAR A FRALDA?

 



 

 

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